Unimed terá que indenizar em R$ 39 mil ex-funcionário chamado de ‘Vera Verão’ por ofensas racistas

Fonte: G1

A Justiça do Trabalho determinou que a cooperativa de plano de saúde Unimed pague uma indenização por danos morais de R$ 39 mil a um ex-funcionário, vítima de ofensas racistas dentro da empresa, localizada no bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Os ataques aconteceram nos anos de 2017 e 2018. A decisão foi dada pelo juiz Rodrigo Candido de Carvalho, da 34ª Vara do Trabalho, no dia 11 de agosto.

Da decisão, não cabe recurso, já que houve acordo entre as partes.

Segundo o ex-funcionário, Bruno Souza Oliveira, de 40 anos, alguns colegas e os próprios gestores o chamavam de “Vera Verão”, personagem gay e negro de um programa humorístico do SBT.

“Eles me chamavam de Vera Verão todos os dias, eu era humilhado, até montagem fizeram com foto minha em um grupo corporativo da empresa. Zombavam do meu cabelo que sempre usei raspado. Até em grandes reuniões, com pessoas que eu nem conhecia, de fora da empresa, as piadas continuavam. Eles falavam que era brincadeira, mas de brincadeira, não tinha nada”, contou Bruno.

Atualmente trabalhando como corretor de seguros, Bruno disse que, mesmo muito incomodado, “relutou” para tomar alguma decisão. A “gota d´água” foi quando uma das colegas que zombavam dele virou chefe e o demitiu.

“Quando uma das pessoas que me zoavam virou chefe e me demitiu, eu senti que precisava fazer algo. No dia da demissão fui bem claro e expliquei que estava ferido com o que estava acontecendo, mas ninguém me apoiou. A gestora disse ainda que eu ia me queimar no mercado se fizesse alguma coisa. Saí de lá e fiz um boletim de ocorrência contra as pessoas e pouco tempo depois acionei a Justiça”, contou.

Na decisão, o juiz falou a respeito do racismo estrutural presente no país.

“Nada importa o que cada testemunha acha ou não da brincadeira; nada importa a cor da pele delas, ou que, na audiência, Bruno fosse o único partícipe de pele negra (….); nada importaria, tampouco, se fossem negros os próprios ‘animadores’ da reunião em que Bruno foi referido como índice de ‘Vera Verão’ e ‘Sebastian’: o ‘racismo recreativo’ é uma má prática objetiva, por ser um dos sustentáculos do racismo estrutural vigente em nosso país”, disse o juiz na sentença.

Quando a sentença saiu e o juiz tratou o caso como racismo, o corretor de seguros, disse que se sentiu “aliviado”.

“De certa forma a justiça foi feita e foi bom para eles perceberem que não estavam fazendo certo, que estas ‘brincadeiras’ não podem acontecer, que ferem o outro, as pessoas precisam de respeito, independentemente da cor da pele e orientação sexual”, contou Bruno.

Em nota, a Unimed disse que “repudia qualquer atitude ou ação que demonstre preconceito de raça ou gênero dentro de seus estabelecimentos”.

Disse que “possui um Código de Conduta e um Canal de Denúncias que é amplamente divulgado entre seus colaboradores” e reforçou ainda que cumpre todas decisões judiciais.

“Decisão referente a um fato isolado e ocorrido em 2018, demonstra as ações implantadas pela Unimed-BH, o que prova que todas as medidas cabíveis ao caso foram tomadas, inclusive com o desligamento de profissionais”, disse em nota.

A respeito da ocorrência registrada em 2018 por Bruno contra outros funcionários da empresa, a Polícia Civil disse que instaurou inquérito para apurar o caso. A investigação segue em andamento.