Produtor cultural denuncia crime de racismo religioso que sofreu ao passar por rua de Salvador: ‘Seu macumbeiro’

Fonte: Portal G1: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2021/06/01/produtor-cultural-denuncia-crime-de-racismo-religioso-que-sofreu-ao-passar-por-rua-de-salvador-seu-macumbeiro.ghtml

Caso aconteceu no bairro do Uruguai e foi registrado pela polícia como ‘injúria e difamação’, tipificação penal, que segundo a polícia, comporta crimes de intolerância religiosa, sendo este uma qualificadora para o crime.

O produtor cultural e compositor de cantigas de axé, Ronald Assis, denunciou à Polícia Civil o crime de racismo religioso que sofreu de um homem, quando ele passava por uma rua, no bairro do Uruguai, em Salvador.

Ao G1, Ronald Assis, que é babalorixá, contou que o caso aconteceu na noite da última sexta-feira (28), por volta das 21h40, na rua Papa Leão XII, no final de linha do Uruguai.

“Meu filho de santo, que tem 23 anos estava na frente e eu com minha tia, de 56 anos, atrás, acompanhando os passos dela”, contou.

“Eu vi um rapaz fazendo gestos para ele, só que eu estava distante e não conseguia ouvir e captar a voz, só consegui quando eu cheguei mais próximo para verificar o que estava acontecendo e registrar”.

Segundo Ronald Assis, o homem gritou “está repreendido, saia da minha porta, seu macumbeiro, antes que eu te dê um murro na cara”. Foi aí que ele gravou a situação com um celular e resolveu registrar um boletim de ocorrência. [Veja nas imagens acima]

O produtor musical ainda contou que o homem ameaçou jogar um pedaço de entulho nele e na tia, mas foi parado pela mãe, que apareceu na hora e pediu para que ele parasse.

“Ele colocou a bicicleta ao lado e foi no entulho pegar uma pedra para arremessar em mim e em minha tia”, afirmou.

Ronald Assis registrou uma queixa através da delegacia virtual, mas foi surpreendido. A Delegacia Digital identificou o caso como injúria e difamação.

“Fiz uma denúncia e o Estado não identifica como crime religioso. O erro está neste indivíduo só ou começa lá em cima na lei?”, questionou o babalorixá.

“A pessoa que fez o crime, ele não tem nada para me ofertar, ele é vazio tanto financeiramente como espiritualmente, só que por trás dele é a ponta do iceberg. Esse ódio religioso, o ápice de ele meter a mão no entulho”, desabafou.

Em nota, a Polícia Civil informou que a tipificação penal “injúria e difamação” comporta crimes de intolerância religiosa, sendo este uma qualificadora para o crime.