Mulher presa por racismo volta a atacar vizinhos no litoral de SP: ‘Negra porca’

Fonte: Portal G1: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2021/05/10/mulher-presa-por-racismo-volta-a-atacar-vizinhos-no-litoral-de-sp-negra-porca.ghtml

Mesmo após ataques racistas que resultaram em registro de boletim de ocorrência, nutricionista fez novas ofensas contra vizinha em Santos, SP.

A mulher denunciada por vizinhos após escrever ofensas racistas em Santos, no litoral de São Paulo, contra moradores do condomínio em que vive, fez uma nova colagem em sua porta contra uma moradora. O novo bilhete, fixado novamente na entrada do apartamento da nutricionista de 56 anos, foi obtido pelo G1 nesta segunda-feira (10). A investigada já chegou a ser presa acusada de ameaçar vizinhas e praticar injúrias raciais, mas, foi solta na audiência de custódia.

A nova colagem da mulher se refere a uma de suas vizinhas, também já ofendida em outras ocasiões, como “preta retinta”, “porca” e “maloqueira”, além de outros xingamentos de baixo calão.

Ela já havia colado papéis na porta de seu apartamento anteriormente, em que se referia aos negros como pessoas de “espírito imundo” e “escória da sociedade”. Na data, foi registrado boletim de ocorrência contra ela por ameaça, injúria e difamação no 7ºDP de Santos.

Além disso, no dia 5 de abril, ela chegou a ser presa. A prisão ocorreu também por ela ofender com palavras de cunho racista suas vizinhas e tentar agredi-las, mas a mulher foi solta em audiência de custódia. Mesmo após a repercussão do caso e registro do ocorrido na polícia por parte de moradores do condomínio, a nutricionista retomou os ataques racistas neste domingo (9), segundo informou o zelador Arilton Souza de Carvalho ao G1.

O zelador contou que este último ataque ainda não foi registrado na delegacia, mas a reportagem apurou que a vizinha a qual a nutricionista se refere no novo bilhete já está procurando apoio jurídico após o ocorrido.

O delegado responsável pelo caso, Jorge Álvaro Gonçalves Cruz, afirmou que todos os crimes registrados pela Polícia Civil serão consignados no relatório final do Inquérito Policial (IP) já em curso, para análise do juiz e do Ministério Público (MP).

De acordo com o artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal, injúria racial se refere a ofensa à dignidade ou decoro utilizando palavra depreciativa referente a raça e cor com a intenção de ofender a honra da vítima. Já o crime de racismo, previsto na Lei n. 7.716/1989, é aplicado quando a ofensa discriminatória é contra um grupo ou coletividade. Por exemplo, impedir que negros tenham acesso a estabelecimento comercial, privado, etc.

Entenda o caso

Na madrugada da última quarta-feira (5), moradoras do condomínio chamaram a polícia e registraram também boletim de ocorrência por injúria racial, dano e ameaça contra a suspeita, no 7º DP de Santos. Na ocasião, ela foi presa em flagrante, mas, foi solta na audiência de custódia.

Na data, uma das vizinhas dela relatou que a nutricionista havia colado em sua porta, assim como na de um outro vizinho papéis com dizeres como “negra vaga*****”, “porca”, e ainda que “negro quando não faz na entrada faz na saída”. As ofensas, além de coladas nas portas das vítimas, conforme relataram à polícia, também estavam espalhados na área comum do condomínio.

Segundo relataram as moradoras no registro da ocorrência, ela teria ainda ameaçado matar duas vizinhas com uma barra de ferro. Segundo as vítimas, a mulher costuma atirar garrafas nos corredores e já as ameaçou de morte.

Em entrevista ao G1, o zelador afirmou que sofre ataques com frequência por parte da nutricionista no condomínio, localizado no bairro José Menino. Ele registrou boletim de ocorrência contra ela no fim de 2020, devido a uma agressão que sofreu por parte da investigada, e por ouvir em outras ocasiões xingamentos como “negro”, “marginal” e “preto encardido”.

Ele também relatou que em março deste ano, quando tirava o lixo do condomínio, foi ofendido mais uma vez com palavras de cunho racista. “Nesse dia, após me ofender, ela subiu até o apartamento dela e pegou uma garrafa e voltou para ver onde eu estava. Como a moça da portaria disse que não sabia onde eu estava, ela [nutricionista] a xingou e jogou a garrafa no vidro de onde fica a portaria. Foi registrado outro boletim contra ela na ocasião, por injúria e lesão corporal”, disse.

G1 não conseguiu localizar a suspeita até a última atualização desta reportagem.