Levantamento mostra que 81% dos presos irregularmente por reconhecimento fotográfico são negros

Fonte: G1

Um levantamento feito pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) e pelo Colégio Nacional de Defensores Públicos Gerais mostrou falhas nos reconhecimentos fotográficos feitos em delegacias no país. Segundo o estudo, 81% das prisões irregulares foram de pessoas negras.

De 2012 a 2020, aconteceram no Brasil pelo menos 90 prisões de pessoas inocentes devido a este método, 73 delas apenas no Estado do Rio de Janeiro.

Para os defensores, o problema revela o racismo estrutural no país. O levantamento afirma ainda que a maioria dos acusados pelo método foi inocentada pois o reconhecimento não foi confirmado em juízo.

“Nós defendemos que o reconhecimento fotográfico, por si só, não pode gerar prisão preventiva ou condenação criminal. Porque um procedimento feito de maneira irresponsável, sem confiabilidade, de uma forma ilegal, tem um potencial enorme de gerar falsas memórias no reconhecedor, o que pode acarretar graves injustiças, como os casos que têm sido frequentemente divulgados na mídia”, afirmou Isabel Schprejer, defensora e subprocuradora de Defesa Criminal da DPRJ.

Desespero para famílias

Na segunda-feira (13), o motorista de aplicativos e montador de móveis Jeferson Pereira da Silva, de 29 anos, deixou a Central de Triagem em Benfica, na Zona Norte do Rio.

A imagem para produzir prova contra ele é de um retrato tamanho 3×4 e com mais de dez anos de existência, que o mostra ainda adolescente. Foram seis dias preso injustamente.

O produtor cultural Ângelo Gustavo Nobre, o Gugu, foi preso no ano passado acusado de participar de um roubo de um carro. A família e a Comissão de Direitos da OAB afirmavam que ele era inocente, e listaram uma série de erros e falhas no reconhecimento feito na investigação do caso.

Um deles é que Ângelo estava em uma igreja na hora do crime. Ele se recuperava de uma cirurgia no pulmão e também nunca foi ouvido durante as investigações. Ele foi reconhecido por uma foto de rede social em uma investigação paralela feita pela vítima do roubo.