‘Histórias não podem ser apagadas’, diz Zezé Motta sobre personalidades negras removidas de lista da Fundação Palmares

Fonte: TV Globo

Fantástico mostrou com exclusividade no domingo (29), que o Ministério Público do Trabalho pediu o afastamento do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. Ele é acusado na Justiça de assédio moral, discriminação e perseguição ideológica. Relatos de servidores e ex-funcionários revelam uma rotina de humilhação e terror psicológico.

Criada em 1988, a Fundação Cultural Palmares tem a missão de preservar os valores culturais, sociais e econômicos da influência negra na sociedade brasileira. Um exemplo foi a criação de uma lista de personalidades negras no site da entidade. São dezenas de nomes do esporte, da cultura, da política e outras áreas. Mas Sérgio Camargo decidiu excluir alguns homenageados.

A repercussão negativa fez Camargo criar uma portaria para justificar a decisão, definindo que a Fundação Palmares faria apenas homenagens póstumas. E que novas personalidades seriam “incluídas em razão do mérito e da nobreza de caráter”.

Vinte e sete pessoas vivas deixaram a lista. Um dos excluídos foi o ex-pugilista Servílio de Oliveira, que foi bronze nas Olimpíadas de 68. Ao se aposentar, Servílio virou técnico, depois empresário. Aos 67 anos, se formou em Direito. Foi o filho, também advogado, quem sugeriu uma ação para recolocá-lo na lista de personalidades negras.

O advogado Marivaldo Pereira, ligado ao movimento negro, também questionou, com uma ação popular, a exclusão de outros nomes. A ação conseguiu a reinclusão do artista Madame Satã e das ex-ministras Benedita da Silva e Marina Silva na lista.

Já a atriz Zezé Motta segue fora.

“As histórias não podem ser apagadas, essas figuras não podem desaparecer. E nem o que elas fizeram. Quando uma criança negra vê algum negro que deu certo ela diz: ‘então, eu também posso’. Isso é um estímulo para que ela lute”, diz atriz Zezé Motta.