‘Foi racismo mesmo’, diz homem xingado de ‘lixo’, chamado de ‘negão’ e agredido por PM em SP; veja vídeos da abordagem

Fonte: Portal G1: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/06/01/foi-racismo-mesmo-diz-homem-xingado-de-lixo-chamado-de-negao-e-agredido-por-pm-em-sp-veja-videos-da-abordagem.ghtml

‘Não estamos mais aceitando isso’, disse Kaio Souza ao G1 sobre abordagem violenta da Polícia Militar no último sábado (29) em Caieiras, Grande São Paulo. Ouvidoria da Polícia quer que policiais militares respondam por abuso de autoridade, lesão corporal e racismo. Corporação afastou um dos PMs.

“Foi racismo mesmo”, disse nesta segunda-feira (31) Kaio Souza, de 33 anos, sobre a abordagem violenta da Polícia Militar (PM) da qual foi vítima, no último sábado (29), em Caieiras, na Grande São Paulo. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um policial militar xingando o autônomo de ‘lixo”, chamando-o de “negão” e depois lhe dando um soco no rosto. A vítima cai no chão após a agressão, enquanto é observada por outro PM.

Além de Kaio, outros dois amigos dele, todos negros também, foram abordados pelos dois PMs por suspeita de que estariam pilotando duas motos com sinais de embriaguez e acelerando, fazendo barulho, no bairro das Laranjeiras.

Os três rapazes negaram as acusações, mas foram algemados e presos pelos PMs. Levados à delegacia, acabaram indiciados pela Polícia Civil pelos crimes de “embriaguez ao volante, resistência e desobediência”. Depois foram liberados.

PM admite soco

O PM que aparece nas imagens agredindo e ofendendo Kaio é o cabo Rodrigo Fernandes de Oliveira, de 35 anos. Ele não foi detido, mas deverá responder por “lesão corporal decorrente à intervenção policial”. Após a divulgação dos vídeos, o cabo acabou afastado preventivamente do patrulhamento nas ruas pela Polícia Militar. A Corregedoria da corporação apura sua conduta e poderá puni-lo.

Rodrigo não foi localizado para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem. Em seu depoimento à Polícia Civil, ele admitiu ter batido no autônomo, mas disse que só fez isso para não usar sua arma quando Kaio se aproximou dele e colocou a mão em seu peito.

“Os nervos estavam à flor da pele (…), no auge de serem agredidos (…), desferiu um soco em Kaio para afastá-lo e para não precisar sacar (…) sua arma de fogo, evitando risco aos envolvidos e a terceiros, inclusive crianças que estavam na rua. Agiu para cessar a situação que estava fora de controle”, informa um trecho do boletim de ocorrência com a versão do cabo Rodrigo.

Racismo

“Foi racismo. Fui vítima de racismo por parte desses policiais”, rebateu Kaio ao G1. “Eu e meus amigos não queremos que isso continue. O tratamento que esses policiais deram na abordagem a gente da raça negra foi nos tratar como ‘lixo’ e falar: ‘Mão na cabeça, negão’. Depois me deu um soco na cara”.

“Não estamos mais aceitando isso. Não temos nada contra a PM. Só queremos Justiça pelo que esses dois policiais nos fizeram”, afirmou o autônomo.

O ouvidor Elizeu Soares Lopes classificou a ação policial como “irregular” e afirmou que os dois PMs que participaram dela cometeram os crimes de “abuso de autoridade e lesão corporal”. Além disso, o rapaz foi vítima de “racismo”, segundo o ouvidor, sendo preciso que se apure também o crime de “injúria racial”.

Dados da Ouvidoria divulgados nesta segunda mostram que em 2020 negros e pardos continuavam sendo as pessoas mais abordadas por policiais no estado de São Paulo.

Segundo um dos amigos de Kaio disse à Polícia Civil, os PMs ainda apagaram as imagens do celular que mostram a agressão policial e que tinham sido gravadas por uma das testemunhas. Mas outras pessoas do bairro também registraram a abordagem truculenta com seus celulares. Os vídeos estão sendo analisados pela investigação.

Tanto as vítimas quanto os PMs quanto os amigos aparecem sem máscaras de proteção contra a Covid nos vídeos.

Numa das filmagens que circulam na internet, o PM que deu o soco no rapaz o xinga: “Vai tomar no seu c*, rapaz. Pensando que você é quem? Quem você é aqui, rapaz?” O homem então diz que é agente penitenciário.

Segundo Kaio falou ao G1, ele havia dito aos PMs que o abordaram que era agente penitenciário porque havia prestado concurso para o cargo em 2014, mas nunca trabalhou na função. “Não quis”, disse o autônomo.

Ao tomar conhecimento das filmagens, o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo informou a reportagem que tentaria localizar os rapazes para saber se alguém deles trabalha mesmo no sistema prisional como policial penal para oferecer ajuda jurídica.

Segundo um dos amigos de Kaio disse à Polícia Civil, os PMs ainda apagaram as imagens do celular que mostram a agressão policial e que tinham sido gravadas por uma das testemunhas. Mas outras pessoas do bairro também registraram a abordagem truculenta com seus celulares. Os vídeos estão sendo analisados pela investigação.

Tanto as vítimas quanto os PMs quanto os amigos aparecem sem máscaras de proteção contra a Covid nos vídeos.

Numa das filmagens que circulam na internet, o PM que deu o soco no rapaz o xinga: “Vai tomar no seu c*, rapaz. Pensando que você é quem? Quem você é aqui, rapaz?” O homem então diz que é agente penitenciário.

Segundo Kaio falou ao G1, ele havia dito aos PMs que o abordaram que era agente penitenciário porque havia prestado concurso para o cargo em 2014, mas nunca trabalhou na função. “Não quis”, disse o autônomo.

Ao tomar conhecimento das filmagens, o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo informou a reportagem que tentaria localizar os rapazes para saber se alguém deles trabalha mesmo no sistema prisional como policial penal para oferecer ajuda jurídica.