Foto divulgação Zezé Motta

Zezé Motta fala sobre o impacto do racismo em sua vida

Uma das atrizes mais completas do Brasil dedicou alguns minutos para compartilhar um pouco da sua história conosco. Desfrute as respostas de Zezé Motta sobre a intolerância racial, o impacto dos últimos fatos nacionais de racismo além do que espera para o futuro pós-pandemia.

1 – Hoje você é consagrada como uma das artistas brasileiras mais completas como cantora e atriz. Gostaríamos de saber se, mesmo tendo chegado a esse nível de reconhecimento ainda sofre com o preconceito e a discriminação racial.  Qual o maior impacto do racismo e da discriminação em sua vida?

ZM – Ao longo da minha vida passei por muitas situações de racismo declarado, hoje Graças a Deus, sou uma pessoa muito amada por meus fãs que valorizam meu trabalho e não há mais, diretamente a mim, ações declaradas de racismo. Nos anos 70, ainda no início da carreira, eu que sou claustrofóbica, fui visitar um amigo que morava no andar alto de um prédio. Ao chegar ao prédio e ter minha entrada autorizada o porteiro disse que eu só poderia subir pelo elevador de serviços. Comentei que estava visitando e entrei no elevador social. Após alguns andares o porteiro travou o elevador, de propósito como uma punição e preconceito. São coisas que não se esquece.

2 – Porque você aderiu ao Movimento AR?

ZM – Aderi sonhando que estou preparando um mundo melhor para minhas filhas e netos.  Enquanto houver uma Maria, um José, um Matheus sofrendo alguma discriminação eu carregarei a bandeira de combate à intolerância racial. Infelizmente, o nosso amado Brasil é o País da discriminação. Aqui temos preconceito contra tudo: raça, religião, opção sexual. Infelizmente, nos últimos dois anos o racismo no Brasil se agravou muito. É muito triste ver esse retrocesso.

3– Qual foi o seu sentimento ao se deparar com acontecimentos como  a morte de George Floyd, crianças mortas no Brasil, agressão a comerciante em SP com ações de enforcamento, entre tantas outras que não chegam ao nosso conhecimento, mas sabemos que existe?

ZM – Sem palavras … fique com falta de ar e invadida por um sentimento de revolta.

4 – Estamos num momento único no Mundo, onde a empatia parece ter reinado em pequenas e grandes ações das pessoas em prol da solidariedade. Você acredita que esta é uma transformação e todos sairemos melhores desse período de Pandemia ou não?

ZM – Rezo para que não seja passageiro. Não acredito que, após um acontecimento desse tamanho tenha que trazer uma “herança boa”. Sofremos com o risco, com o isolamento, com a quarentena. Sou uma pessoa otimista e prefiro pensar que esta é uma grande lição, pois o vírus nos iguala a todos. Não acredito que as pessoas não estejam refletindo sobre isso.

5 – Qual o mundo que deseja para as próximas gerações?

ZM – Espero um mundo muito melhor sem desigualdade, violência e racismo. E, é claro que para bem breve, a vacina contra o Covid-19.

6 – Caso queira, acrescente algo que queira falar sobre essa luta e o Movimento AR.

ZM – Gostaria de pedir às pessoas que não desanimem, sejam perseverantes e não desistam de seus sonhos. Sempre fui muito religiosa e agora, o que espero é que cuidemos de nossa saúde física, espiritual e mental por meio das orações.

Entrevista equipe Movimento AR com artista Zezé Motta