Talento jovem valoriza atuação socioambiental de empresas

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo: https://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,profissional-jovem-valoriza-atuacao-social-de-empresas-diz-pesquisa,70003634144

Pesquisa mostra que 53% das lideranças reconhecem que práticas sociais e sustentáveis atraem gerações mais novas; jovens corroboram estudo ao escolher empresas de acordo com práticas de ESG

Práticas ambientais, sociais e de governança. É este tripé que forma a sigla ESG (do inglês environmental, social and governance), que tem se tornado centro das atenções de empresas, consumidores e investidores nos últimos anos. A sigla também mostra influência na atração de profissionais, principalmente os mais jovens, na visão das próprias lideranças.

Segundo pesquisa feita pela Talenses Consultoria, com foco em diretores e donos de empresas brasileiras, 53% deles dizem acreditar que a agenda ESG influencia positivamente na atração e na retenção de talentos da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010).

É o caso de Murilo Passos, de 24 anos, que é coordenador em inovação cultural no time de branding da Natura. “Eu partia do princípio de que eu nunca ia trabalhar no mundo corporativo.” Antes de chegar à Natura, bem avaliada no mercado por conta de suas práticas ESG, Murilo atuava na comunidade onde mora, em Guarulhos, auxiliando artesãs da região a empreender.

O jovem, que também trabalhou com teatro e audiovisual com o intuito de gerar impacto social, entrou para a empresa por meio de um programa que visa encontrar jovens com atuação na sociedade. “Só há a possibilidade de eu estar trabalhando na Natura hoje por conta da valorização que ela dá para esse tipo de aspectos, principalmente a diversidade.”

Assim como Murilo, Gabriele Honório, de 27 anos, também está no grupo de jovens que buscam empresas que fazem a diferença – e também estão fazendo a diferença nelas. Recém-promovida ao cargo de gestora de marketing da Softy’s, Gabriele comenta que, desde a faculdade, tinha a preocupação em trabalhar em uma empresa que se importasse com o ambiente e a inclusão

“Eu não me imaginava trabalhando em uma empresa que não tem essa preocupação com o coletivo, que agride o meio ambiente ou simplesmente ignora questões relevantes para o desenvolvimento da comunidade”, diz.

Para Luiz Valente, CEO da Talenses Consultoria, as gerações Y e Z formam um grupo de consumidores mais preocupados com a reputação das empresas. Ao comprar um produto, esses jovens levantam questionamentos quanto à origem e ao posicionamento da marca em questões sociais, como racismo e preconceito. Entretanto, Valente destaca que esse grupo é relevante não apenas como consumidores.

“Os millennials já chegaram a cargos gerenciais nas empresas e a geração Z está entrando agora no mercado de trabalho. Além de serem mais engajadas em questões sociais e ambientais, as duas gerações também são mais preocupadas quando o assunto é ética”, avalia o CEO. Valente sugere que essa característica deve-se à influência de diversos escândalos de má conduta em organizações públicas e privadas ocorridos nos últimos anos em âmbito nacional e internacional. 

Valores na alta hierarquia

A pesquisa foi respondida majoritariamente por diretores, proprietários e presidentes de empresas, ao todo 201 respondentes. Para os entrevistados, 86% acreditam que as ações de ESG são benéficas para o desempenho no mercado, sendo que 63% avaliam como um fator que proporciona geração de valor de mercado da empresa e 50% acreditam que gera ganhos na imagem e reputação da empresa. 

Luiz Valente destaca que os números das empresas relacionados às ações de ESG tomaram mais força nos últimos três anos, mas a tendência é aumentar ainda mais.

Outra característica apresentada pela pesquisa é a pressão igual entre investidores e a sociedade de forma geral para estruturação da agenda ESG. 

“As empresas com práticas comprovadas terão um acesso ao crédito bancário mais livre, elas vão conseguir taxas menores para financiamentos de investimentos e renegociação de dívidas. Sem contar com a maior facilidade de vender seus produtos”, afirma. 

Empresa de bens de consumo focados em higiene pessoal, a Softys afirma o compromisso com a sustentabilidade e acessibilidade como pilares e propósitos da organização. Como ação nesse sentido, a empresa diz investir em ações não só para redução do consumo de água, mas para promover uma melhor eficiência energética nas fábricas. 

Para Regiane Herchcovitch, diretora de recursos humanos da Softys, a preocupação com a reputação da empresa acontece desde o recrutamento até o dia a dia do trabalho, gerando conexão e engajamento. “Além das ações da empresa atraírem os funcionários para o recrutamento, elas tornam-se motivo de orgulho para quem já está dentro e percebe que temos preocupações que são benéficas para a sociedade e o meio ambiente”, afirma.

Já Aline Felix, gerente sênior de Cultura, Experiência do Colaborador e Marca Empregadora da Natura &Co América Latina, reconhece que as ações da empresa são uma uma forma de conectar organização e funcionários. “Cada pessoa faz parte da composição da empresa, então a gente não entende os valores de maneira separada. Até porque o colaborador chega a espaços onde a empresa não está.”

Segundo ela, quanto mais nova é uma geração, maior é a preocupação com valores que são refletidos na sociedade. “A Natura assumiu o compromisso, olhando para 2030, de ter zero emissão de carbono líquido. Além disso, reafirma a importância de até 2026 ter 50% de mulheres compondo a liderança”, diz Aline.  

Ela destaca três causas da empresa voltadas à atuação social e sustentável: “Amazônia Viva”, “Mais Beleza e Menos Lixo” e “Cada Pessoa Importa”. “Por termos clareza dos nossos valores, fica mais fácil para as pessoas se conectarem, tanto clientes, como colaboradores”, complementa.