Se é Bayer é bom?

Fonte: revista Veja: https://veja.abril.com.br/blog/jose-vicente/se-e-bayer-e-bom/

Confira o artigo desta semana do líder do Movimento AR, José Vicente, na revista Veja

Num Brasil cujo negacionismo esconde e escamoteia o drama do racismo estrutural, a coragem de algumas empresas encoraja e estimula os jovens negros. O impacto do lançamento do Programa de Trainees exclusivo para negros do Magazine Luiza foi tão retumbante, que, além de dividir as opiniões, polarizar e produzir um verdadeiro debate nacional, acabou jogando penumbra em outros importantes e relevantes acontecimentos do novo normal de alguns destacados players do ambiente corporativo nacional.

A novidade, gestada no bojo de longo processo de maturação das dezenas de empresas da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, ao tempo que anunciava para o mundo o ineditismo e mudança do paradigma racial empresarial que subia a régua dos negros dos postos de entrada dos estágios para os postos de entrada da gestão , da mesma forma contrariava frontalmente o discurso político de que medidas de ação afirmativa de promoção dos negros constituía importação do racismo americano ou daltonismo social , na medida em que todos os brasileiros são tratados igualmente.

Assim, juntamente com a força de exposição e potência da marca e o arrastão de Floyd na opinião pública mundial, o caso Magalu acabou ocupando todos os espaços de atenção e debates e deixou poucas margens de visibilidades para quaisquer outros acontecimentos similares, ainda que, da mesma forma inédito e relevante.

Por esse motivo, o programa de trainees exclusivo para negros da Empresa Bayer semelhante ao da Magalu, lançado praticamente na mesma data, e que originalmente até oferecia mais vagas – 19 contra 10 – e valor maior de salário – 6.900 contra 6.700 -, acabou ofuscado e não ganhou a atenção, destaque – e mesmo a oposição e confrontação – que também foi e continua sendo merecedor.

Cumprindo o figurino que formatou o caminho dessas empresas para o novo paradigma, primeiramente seu presidente assumiu o comando dessa agenda para dentro e para fora, realizou o letramento antirracista, instituiu grupos internos de sensibilização, contratou estagiários negros e posicionou e comunicou os novos valores a todo seu ecossistema. Tudo isso preparou o terreno para o salto para futuro que agora a colocou anos luz frente da concorrência e numa posição de vanguarda na agenda do ESG que ainda está engatinhando no Brasil.

Com mais de 25 mil jovens negros inscritos acima da malfadada régua, além de cumprir com rigor todos os procedimentos estabelecidos aos candidatos não negros apresentou um resultado final surpreendente: 84% dos aprovados são jovens mulheres negras de 22 a 32 anos. Cada vez mais representativas em todo os espaços sociais e principalmente nos bancos universitários, as mulheres negras novamente confirmam sua potência e resiliência para transitarem num mundo cuja discriminação contra suas pessoas é sempre redobrada, enquanto a Bayer acabou mantando dois coelhos com um tiro só: ampliou a diversidade racial e alcançou mais diversidade racial de gênero.

Assim, além do protagonismo e quebra da barreira histórica, a Bayer individualmente promove uma mudança extraordinária, enriquecendo e valorizando seus fundamentos éticos empresariais e, coletivamente, com o Magazine Luiza e demais empresas inovadoras, constroem o novo normal na questão racial empresarial e antecipam e saem na frente na promoção dos desafios e das exigências da nova agenda racial do ESG.

Num Brasil cujo negacionismo esconde e escamoteia o drama do racimo estrutural, e o monopólio da branquitude interdita e joga na lata do lixo a plêiade de talentos e competências de alto valor e capacidades, a coragem e o compromisso de empresas como a Bayer encorajam, empoderam e estimulam os jovens negros de todo o país. Como pudemos ver em Davos e na nova agenda de responsabilidade racial americana do Governo Biden, a mudança chegou na América e agora com a Bayer e demais empresas do bem, também está chegando no Brasil.

Sob essa perspectiva, no ritmo do bordão que embalou a memória dos brasileiros, não pode persistir dúvidas e a conclusão é uma só: Se é Bayer é Bom.