Respeito à vida e combate ao Racismo Estrutural fazem parte da formação dos vigilantes

Em nosso país, atuam mais de 600 mil vigilantes devidamente cadastrados junto à Polícia Federal e com treinamentos válidos. Esses profissionais, muitos deles armados, atuam diuturnamente nos mais variados mercados: indústria, comércio, órgãos governamentais, residências e condomínios, transporte de valores, escolta de cargas, segurança pessoal privada. Estão em contato direto com milhões de pessoas, muitas delas usuárias finais dos serviços de segurança.

Por isso, a ausência de ocorrências negativas que envolvam os vigilantes já é por si só a comprovação de que os serviços prestados são bem executados. Quando há problema, é só investigar mais a fundo e verá que envolve algum prestador de serviço não formado pelas Academias de Formação e Reciclagem de Vigilantes, únicas capazes de preparar os vigilantes para toda a variada gama de obstáculos a serem vencidos na profissão. Essas academias são representadas pela ABCFAV – Associação Brasileira dos Cursos de Formação e Aperfeiçoamento de Vigilantes, que tenho a honra de presidir.

Uma das principais premissas passadas nos cursos vinculados à ABCFAV é justamente o valor e o respeito à vida humana. Por isso, ações racistas, preconceituosas de qualquer natureza, são tão combatidas por nós. Preconizamos o respeito às diferenças em todas as nossas atividades e incentivamos os nossos alunos a usar todos os meios de negociação em uma ocorrência, antes de efetivamente usar a força, mas se tiver que usar nunca será motivada por preconceito.

O episódio da morte de um homem negro em uma loja do Carrefour, no dia 19 de novembro passado, é um exemplo claro do que não fazemos. Aquele “segurança” não era formado como vigilante e não poderia atuar como tal. Ele não recebeu as diretrizes que um vigilante recebe, não foi orientado, e isso resultou em uma tragédia.

Para evitar situações como aquela, temos também atuado no combate ao racismo estrutural em nossa sociedade. Para fazer isso no âmbito da Segurança Privada, a ABCFAV e mais cinco entidades do mercado, já haviam assinado um termo de cooperação com a Universidade Zumbi dos Palmares, responsável pelo Movimento AR, uma mobilização com o propósito de realizar transformações sociais através de ações efetivas contra a violação de direitos humanos. A principal ação é a conscientização da necessidade de combate efeito ao racismo estrutural e sua importância na formação e contínua capacitação dos profissionais da área.

Sentimo-nos satisfeitos por colaborar com a disseminação dos conceitos acerca do racismo estrutural e de como podemos ajudar a criar uma sociedade mais justa e mais igualitária. Nossos vigilantes já estão alinhados com esses valores e por onde forem levarão os conceitos defendidos pelo Movimento AR. Contem conosco.

Ricardo Tadeu Corrêa, Presidente da ABCFAV