“Racismo estrutural, velado e real”; Leia artigo escrito por aluna de uma escola da Capital

Fonte: Jornal Conexão: https://jornalconexao.com.br/2021/05/03/racismo-estrutural-velado-e-real-leia-artigo-escrito-por-aluna-de-uma-escola-da-capital/

Artigo de Victória Schimitz da Silveira, aluna 3º ano do Ensino Médio do Colégio Militar de Florianópolis.

O racismo no Brasil se encontra em uma situação de emergência, nunca se falou tanto da desigualdade entre raças, do preconceito e da importância do respeito. No entanto, o ano de 2020 trouxe, além do coronavírus, uma avalanche de ataques racistas partindo, principalmente, de policiais. A música de Belchior, neste momento de tensão, nunca fez tanto sentido, conforme Belchior, “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”. Sim, morreram muitos Betos, Jorges e milhares de outros que não foram divulgados, no silêncio da tristeza e em detrimento dessa sociedade tão cruel e preconceituosa. Assim, o racismo no Brasil é estrutural, velado e real.

A imagem pintada por Gilberto Freyre é que nessa terra existe uma glamourosa, igualitária, porém tão utópica democracia racial. Consequentemente, tudo isso reflete na falsa sensação de um Brasil sem racismo, sem desigualdade, um verdadeiro paraíso entre as raças, construído na base de estupros, violência, assassinatos e diversas atrocidades que vêm sendo presenciadas até os dias atuais. Como causa, tem-se o fato de que o racismo se transforma a cada século, ganhando uma nova percepção. Conforme o autor Petrônio José Domingues, “O racismo não permaneceu intacto depois do regime de cativeiro, tendo sido ajustado e reajustado em dissonâncias, assumindo novas funções vertentes e roupagens dentro da nova ordem”, ou seja, a democracia racial desse país é uma realidade paralela que ninguém nunca viu.

Outro fato a ser questionado é o comodismo social que muitas pessoas apresentam ao se referir ao racismo. Alega-se, assim, que ele não existe, evitando, dessa forma, uma correção de valores morais, buscando justificar que a pessoa que comete os ataques racistas não foi racista durante uma parte ou até mesmo a vida toda, restando, por consequência, na relutância da existência do racismo. Um exemplo é o caso da declaração do Vice-Presidente da República Hamilton Mourão sobre a situação de João Alberto Silveira Freitas. Conforme Mourão, “[…] Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil. Isso não existe aqui”, demonstrando uma enorme ignorância sobre a realidade racista em que o país se encontra, levando-me a refletir e a ter ainda mais certeza que o racismo no Brasil é velado, escondido e pensado ser inexistente.

Depois de todas essas informações, declarações e evidências, é possível afirmar que sim! O racismo no Brasil é real, ele existe e está presente no cotidiano das pessoas pretasGraças às redes sociais, podemos denunciar muito mais rapidamente ações racistas, tal como o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam ou Vidas Negras Contam), que conseguiu se tornar mundial e que levou muitas pessoas a repensarem seus atos e começarem a agir de forma diferente. Pois, no fundo, a única raça que existe, no elo científico, é a raça homo sapiens, tornando de extrema incoerência e irracionalidade a abordagem de raças por meio da distinção da cor da pele.

** A autora deste artigo é Victória Schimitz da Silveira, aluna 3º ano do Ensino Médio do Colégio Militar de Florianópolis. Ela procurou o Conexão para publicar o artigo sobre o racismo. Muito bem elaborado e escrito, o material não precisou de correções gráficas.