Professor denuncia caso de racismo e diz ter sido ofendido por cliente

Fonte: Jornal Folha de Boa Vista: https://folhabv.com.br/noticia/POLICIA/Ocorrencias/Professor-denuncia-caso-de-racismo-e-diz-ter-sido-ofendido-por-cliente/75639

Átila Santos disse não saber o que fazer frente às ofensas e que foi acolhido pela esposa, que pediu que ele não reagisse

O professor Átila Santos denunciou ter sofrido crime de racismo em Boa Vista, ao ser ofendido por uma cliente de um bar localizado em um shopping da cidade. A mulher em questão teria proferido ofensas raciais contra o educador e o chamado de ‘nego’ e macaco’. O caso ganhou repercussão nas redes sociais na manhã desta terça-feira, 04, em um vídeo gravado por ele.

No vídeo, o professor informa que na noite de segunda-feira, 03, estava acompanhado da esposa e de amigos e foi ofendido por uma mulher em uma das unidades do Salomé Bar.

“Chegamos lá e todas as mesas estavam ocupadas. A gente ficou esperando. Um rapaz ia levantar e disse que a gente podia ficar na mesa. Chegou um pessoal, que não vou citar aqui. Quando vagou a mesa, que a gente foi sentar, essa moça falou que eles estavam esperando há mais tempo. Sendo que a gente tinha chegado primeiro e estava esperando. Eu, meu amigo e minha esposa, a gente levantou e deixou eles lá na mesa, e saímos”, disse em vídeo.

O professor continua dizendo que após sair do ambiente, logo em seguida, foi chamado pelo garçom, que havia arranjado outra mesa. Ao entrar novamente no bar, Átila  afirma que a mesma moça teria reagido. “Quando a gente volta e vai passando pelo corredor, a mulher bota a mão bem na frente. Eu tirei a mão dela e passei. Quando a gente chega na mesa, essa mulher levanta da mesa dela e vem apontando o dedo na minha cara me chamando de ”seu nego”, “seu preto”, “seu macaco”. “que você empurrou a minha mão”, “nego nojento”. Eu fiquei sem reação”, disse.

Átila disse que não sabia o que fazer e que foi acolhido pela esposa, que pediu que ele não reagisse. Ele afirma ainda que buscou a gerência do comércio, mas não obteve o atendimento solicitado. “Eu falei com o gerente, para ver se ele tomava alguma atitude e ele disse que não podia fazer nada. Falei para ele chamar a polícia. Depois eu vim embora, mas vou registrar o boletim de ocorrência e vamos correr atrás”, completou.

Em entrevista à FolhaBV, o professor acrescentou que na ocasião o gerente do bar chegou a conversar com o marido da agressora, mas que não obteve sucesso na conversa e que ao indagar o gerente sobre o que seria feito após isso, ele teria dito que não podia fazer mais nada.

Ainda de acordo com Átila, o empresário responsável pelo bar o procurou nesta terça-feira após ter conhecimento do ocorrido. Segundo o professor, o empresário prestou todo apoio necessário e solidariedade à respeito da situação. Na manhã desta terça-feira, o professor registrou um Boletim de Ocorrência contra a mulher e a Polícia Civil irá apurar o caso.

Em nota, a empresa se pronunciou em suas redes sociais à favor de Átila e disse que repudia qualquer atitude racista sofrida por clientes. Confira a nota na íntegra:

NOTA PÚBLICA

A Rede de Franquias Salomé Bar vem a público manifestar seu total repúdio a atitudes racistas, preconceituosas ou qualquer outra forma discriminatória sofrida por clientes, funcionários e parceiros, se solidarizando com todos que têm passado por algum tipo de constrangimento. Desse modo, colocamo-nos a disposição.