Pela Ordem Primeiro Elas

O Instituto Pela Ordem Primeiro Elas, surgiu após várias reflexões realizadas entre mim e a coach e mentora Jackeline Menezes, à cerca da falta de representatividade e oportunidades de mulheres, principalmente de mulheres pretas, na Cidade de Maricá e no Estado do Rio de Janeiro.

Percebemos que mulheres não possuem espaço igualitário dentro da nossa sociedade em pleno século XXI, e que estavam sempre a margem dos homens, que ainda possuem um pensamento retrogrado e machista, que impõem de forma direta e muitas vezes velada a sua suposta “superioridade” ao gênero feminino.

Percebemos, que a pele preta, o esteriótipo, o cabelo afro, não abriam portas, onde essas mulheres deixavam de ter oportunidades, como qualquer outra pessoa,  teria, se tivesse o mesmo nível de instrução, só que “protegida” pela sua branquitude.

Aos poucos foi ficando evidente o papel que a sociedade esperava que nós assumíssemos, para que pretos não fossem julgados como um subgrupo desumanizado, e perseguido pela história da escravização dos nossos ancestrais, os quais durante séculos viveram a covardia, de terem perdido sua identidade, sua cultura, sua religião e principalmente a sua liberdade.

No âmbito Institucional não víamos habitualmente representação de mulheres negras,  em espaço de poder, seja nas mídias, nos órgãos públicos, nas grandes empresas privadas, onde só se via preto em subempregos, quando muitas vezes, eram confundidos com o empregado da empresa, não como o empresário ou diretor, por exemplo.

Diante disso, já inseridas dentro de Movimentos Sociais e  Negros, no Estado do Rio de Janeiro, após termos sofrido racismo  Institucional, o qual colocou nossos pés verdadeiramente no chão,  e nos mostraram que  em certos lugares, o preto só serve como o “amigo” do branco, onde é utilizado, na maioria das vezes, como muleta,  com o  cunho de atingirem seus objetivos pessoais, usurpando o nosso conhecimento e ideias, mas nunca ao ponto de perderem o seu protagonismo, pois afinal de contas como diz um ditado racista: “lugar de preto é na cozinha”

Através destes Movimentos Sociais, tivemos a sorte de além da Jackeline Menezes, conhecer três  mulheres, pretas e potentes, Dra. Ana Paula Embaló, Dra. Beatriz Silveira e  Dra. Fatima Moura , as quais possuíam o mesmo idealismo, o mesmo sonho, a mesma vontade de vencer o racismo estruturado dentro da nossa sociedade.

Daí o sonho se tornou realidade, e nasceu o POPE, Pela Ordem Primeiro Elas, com o objetivo de lutar contra o racismo, criando oportunidades para os negros e negras, e principalmente para as mulheres, pois percebemos  que mulheres não possuem espaço igualitário dentro da nossa sociedade em pleno século XXI, e que mulheres como nós estavam sempre a margem de muitos  homens,  que ainda possuem pensamentos retrogrados e machistas.

Precisamos trazer consciência a sociedade,  de que o Racismo existe e está aí, para que todos vejam, por exemplo: quando um homem é morto asfixiado pela polícia, tendo em vista que  a cultura enraizada,  de que preto já é considerado criminoso, havendo um pré julgamento estruturado, e que o mesmo oferece risco a sociedade, devendo ser abatido, sob qualquer suspeita.

Os pretos não possuem as mesmas oportunidades que os brancos,  e por isso se faz necessária a mobilização da sociedade civil e de movimentos sociais, que tragam luz as questões sociais e raciais.

Temos que integrar a população preta,  não só dentro de boas escolas do ensino básico  e nas Universidades, devemos criar condições para que possam fazer cursos de pós graduação, mestrado e doutorado, evitando com isso um apartheid educacional.

É importante trazer conhecimento a todos, criando uma sociedade mais igualitária onde possamos ter gerações antirracistas, para que o branco consiga entender verdadeiramente  o sentido constitucional do artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, independente do sexo, da cor, da religião, orientação social, classe econômica.”

Não partimos do mesmo ponto do que os brancos, não possuímos as mesmas oportunidades, mesmo com a criação de políticas públicas, que ainda não conseguiram trazer a tão sonhada igualdade racial, nem tampouco a democracia racial.

Sofremos muitos tipos de preconceitos, como racismo estrutural e institucional e lutamos para que novas gerações não mais nos vejam como um  objeto, que possa ser descartado, precisamos respirar.

SEMPRE

PELA ORDEM PRIMEIRO ELAS

Dra. Luciene Mourão é Presidente do Instituto Pela Ordem Primeiro Elas, vice-presidente da OAB Maricá e a mais nova embaixadora do Movimento AR.