Foto divulgação pedro Mariano

Pedro Mariano fala sobre racismo ao Movimento AR

Embaixador do Movimento AR, o cantor, compositor e instrumentista brasileiro Pedro Camargo Mariano fala um pouco sobre como encara o impacto do racismo no Brasil e na América do Norte. Saiba um pouco mais sobre como pensa o filho da cantora Elis Regina e do pianista César Camargo Mariano.

1. Você que é branco, um artista consagrado e filho de pais ilustres e amados no Brasil. Porque decidiu apoiar o Movimento AR?

PM. Acredito que, qualquer que seja a discriminação, devemos nos manifestar de forma a chamar a atenção das pessoas para que uma mudança de comportamento possa ser sentida. Usando de empatia e muito diálogo, poderemos passar a colher os frutos de uma sociedade mais justa e atenta às questões de discriminação racial. 

2. Como você vê a questão do racismo em nosso País?

PM. No Brasil, que tem na sua população a maioria negra ou de descendentes de negros, falar de racismo passa por muitas questões complexas. Acesso à educação e cultura tem um papel fundamental nesse combate, podendo ser mecanismos importantes no esclarecimento das questões do negro brasileiro. As autoridades públicas também se tornam peças determinantes ao virarem o rosto para a questão, não implementando políticas públicas permanentes de conscientização. 

3.Com sua família morando nos Estados Unidos, vê muita diferença entre o racismo na América do Norte e no Brasil? 

PM. Meu pai e minha irmã moram nos Estados Unidos, portanto, fui muitas para lá. Acredito que o racismo é igual em todo lugar, porém nos EUA a opinião pública tem um peso enorme. Levando em consideração que somos sociedades com quase a mesma idade, muito pouco se fez de efetivo para que uma mudança ocorresse, tanto lá quanto aqui. Quando vemos a proporção da população negra norte-americana em relação à branca, realmente é a minoria e as conquistas que a sociedade negra norte-americana teve parecem ser maiores, mas na prática não vejo tanta diferença. Muito ainda tem que ser feito e conquistado.

4.Qual foi o seu sentimento ao se deparar com acontecimentos como  a morte de George Floyd, crianças mortas no Brasil, agressão a comerciante em SP com ações de enforcamento , entre tantas outras que não chegam ao nosso conhecimento mas sabemos que existe?

PM. Todos estes acontecimentos me fazem muito mal. A violência por si só já é ultrajante, quando o motivo é a cor da pele daquele cidadão, tudo toma proporções gigantescas. Confesso que a paciência se esgota e muita raiva surge.

5. Estamos num momento único no Mundo, onde a empatia parece ter reinado em pequenas e grandes ações das pessoas em prol da solidariedade. Você acredita que esta é uma transformação e todos sairemos melhores desse período de Pandemia ou não?

PM. Gostaria muito de acreditar que sim. Porém quando vemos a sociedade clamando pela flexibilização, sabendo que as camadas mais vulneráveis da sociedade serão aqueles que pagarão o alto preço, fico um tanto descrente.

6.Qual o mundo que deseja para as futuras gerações?

PM. Estou sempre na torcida para que as próximas gerações não cometam os mesmo erros que a atual, e possam evoluir.

7. Acrescente algo que queira falar sobre essa luta e o Movimento AR.

PM. Toda luta a favor dos menos favorecidos, daqueles que são diferentes do que a sociedade prega, de outras raças e cores ou crença, merece meu respeito e admiração. Parabéns e contem comigo