O declínio da desigualdade racial

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/michael-franca/2021/05/o-declinio-da-desigualdade-racial.shtml

Artigo de Michael França, doutor em Teoria Econômica pela Universidade de São Paulo; foi pesquisador visitante na Universidade Columbia e é pesquisador do Insper.

Políticas para a primeira infância são poderosos instrumentos contra as desigualdades

As disparidades raciais fazem parte do nosso cotidiano e, em determinados contextos, tendem a dificultar o processo de desenvolvimento das nações. Apesar disso, existe crescente conscientização sobre os desafios dessa agenda e progressivo aumento da pressão popular para endereçá-la com o cuidado que merece.

O caso dos Estados Unidos é emblemático. O viés racial daquele país tende a se manifestar de forma explícita. A morte de George Floyd, conjuntamente com a onda de protestos antirracistas de 2020, pode dar a impressão de que a situação racial não está evoluindo. Alguns acreditam que as relações raciais lá são piores que a discriminação, relativamente implícita, da sociedade brasileira.

De fato, os americanos ainda precisam enfrentar diversos desafios. Porém, há progressos tanto na redução quanto no diagnóstico empírico das disparidades.

De acordo com Robert Margo, da Universidade de Boston, a razão da renda per capita dos negros sobre a dos brancos aumentou significativamente entre 1870 e 2010 (“Obama, Katrina, and the Persistence of Racial Inequality”, 2016).

Em um período de cerca de cinco ou seis gerações, essa proporção passou de pouco mais de 25% para cerca de 66%. A título de comparação, no caso brasileiro, esse número em 2019 foi aproximadamente 52%.

Além disso, os americanos, com uma população de apenas 13% de negros, elegeram Barack Obama, o primeiro presidente afrodescendente do país, em 2009. Já a sociedade brasileira, com seus 56%, tende a apostar no passado.

De acordo com Robert Margo, da Universidade de Boston, a razão da renda per capita dos negros sobre a dos brancos aumentou significativamente entre 1870 e 2010 (“Obama, Katrina, and the Persistence of Racial Inequality”, 2016).

Em um período de cerca de cinco ou seis gerações, essa proporção passou de pouco mais de 25% para cerca de 66%. A título de comparação, no caso brasileiro, esse número em 2019 foi aproximadamente 52%.

Além disso, os americanos, com uma população de apenas 13% de negros, elegeram Barack Obama, o primeiro presidente afrodescendente do país, em 2009. Já a sociedade brasileira, com seus 56%, tende a apostar no passado.

Reconhecendo esse desafio, o governo e a sociedade civil americana criaram, nas últimas cinco décadas, uma série de intervenções com o intuito de diminuir as disparidades educacionais.

Isso permitiu considerável avanço da literatura empírica. Diversas evidências sugerem que políticas voltadas para a primeira infância representam poderosos instrumentos na luta contra as desigualdades.

Desse modo, através de rigorosas avaliações dos impactos dessas intervenções, foi possível identificar as melhores práticas para enfrentar as disparidades. Atualmente, o desafio americano será ampliar, em larga escala, essas iniciativas.

No Brasil, existe considerável avanço na conscientização de que há um grave problema a ser resolvido. Resta avançar nos estudos empíricos para que a proposição de iniciativas e políticas sejam mais assertivas.