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Na semana em que o CNJ debate a Igualdade Racial no Poder Judiciário somos golpeados pela própria justiça

No passado, o racismo por vergonha e receio se esgueirava no silêncio ou na negação. Estimulado pelas luzes e furtividade das redes sociais, pelo discurso político de direita que o desqualifica e pela impunidade, tem encorajado sua afirmação, prática e publicização. Nos dias atuais tem mostrado sua perversidade e violência na atuação das forças policiais públicas e privadas que pisam com os coturnos nos pescoços das mulheres negras, na porta de suas casas, e, hostilizam, agridem, chicoteiam e matam jovens negros dentro dos shoppings e supermercados. Voluntária ou involuntariamente ganha força e justificam ações e narrativas ainda que absurdas: um boné com determinada inscrição.

O mundo tem repudiado os joelhos e “mata-leões” que tornaram letra morta a justiça e a dignidade da pessoa humana. Porém quando o golpe vem da própria justiça, somos obrigados a nos colocar de prontidão. A sentença do
juízo da 1ª Vara Criminal do Paraná que reconhece e determina que a raça negra de um réu comprova a existência, autoria do crime, e sua
qualidade de criminoso é estarrecedora. Agride os fundamentos do
direito, porque a lei não reconhece e não autoriza esse tipo de argumentação na formulação e construção da sentença, e porque contraria os embasamentos da ciência, da moral, da ética. Logicamente, sem deixar de transgredir a constituição e as leis da República, que definem o crime de racismo. Esse é mais um dos joelhos que impedem os negros de livremente respirar.

Por isso, o Movimento AR repudia veementemente esse argumento da Sentença Judicial requererá sua reparação nos foros competentes.