Movimento AR lamenta e repudia o constrangimento ilegal sofrido por homem negro em loja da rede atacadista Assaí, em Limeira

José Vicente, líder do Movimento AR – mobilização voluntária de combate ao racismo, preconceito e discriminação racial contra negros – repudia a atitude dos dois seguranças de uma loja da rede atacadista Açaí, em Limeira, interior de São Paulo, que, na tarde de sexta-feira (6/8), obrigaram um homem negro de 56 anos a se despir parcialmente para demonstrar que não havia furtado produtos do estabelecimento.

O caso desse homem, que registrou boletim de ocorrência por constrangimento ilegal, é o mais recente de uma série de práticas racistas que ocorrem com frequência no País. E foi por esta razão que, no dia 29 de junho, o Movimento AR lançou, em São Paulo, o Guia de Boas Práticas em Segurança Patrimonial Privada Preventiva e Protetiva, assinado por Susana Durão, do Centro de Estudos e Pesquisas em Igualdade, Segurança e Justiça Racial, do Observatório do Negro, da Universidade Zumbi dos Palmares.

Segundo José Vicente: “este foi um ato desumano, um constrangimento, uma transgressal penal, civil e trabalhista, para esta violência legal,  à dignidade humana e  a brutalidade à honra pessoal, todos deverão ser punidos, os agressores, a empresa de segurança e a rede Assaí”, conclui.

As dez propostas, passíveis de rápida implementação, são:

  1. Produção de filosofias e protocolos ético-deontológicos nas empresas, com respeito declarado aos direitos humanos e civis;
  2. Atenção à qualidade das interações, humanizadas e sem preconceitos, materializada em um plano de uniformes adequados e agradável, não ostensivo;
  3. Favorecer recrutamentos mais plurais, com variação étnico-racial e de gênero;
  4. Definir e separar as identificações e exigências na segurança das práticas de discriminação com preconceito, trabalhadas nos procedimentos-padrão;
  5. Avaliar a necessidade de mais instrumentos de proteção para profissionais nas abordagens extremas, como recurso a algemas e outros, e, em caso de validação, atribuir limites e responsabilidades severas quando o uso for indevido;
  6. Melhor definição das áreas exclusivas de atuação da segurança patrimonial privada, em relação tanto às atividades policiais quanto à área de avaliação e gestão de perdas;
  7. Promover responsabilidade social, local e comunitária nas empresas de segurança;
  8. Promover capacidade de diálogo e tolerância entre os profissionais da segurança;
  9. Orientar cursos e treinos para mudanças ético-comportamentais nas empresas e nos profissionais;
  10.  Promover treinamentos curtos para desenvolver saberes relacionais, comunicacionais e preventivos nos profissionais de segurança.

O Movimento AR informa que acompanhará as investigações da polícia sobre o caso para apurar as responsabilidades.

Sobre o Movimento AR: mobilização voluntária, com propósito de realizar mudanças e transformações sociais através de ações efetivas de combate ao racismo, ao preconceito e à discriminação racial contra negros. O movimento é liderado pela Universidade Zumbi dos Palmares e pela Ong Afrobras.