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Movimento AR e setores de segurança pública e privada, criam Comitê Segurança Sem Preconceito

O líder do Movimento AR, José Vicente, reuniu de forma emergencial, na manhã desta quarta-feira, 25/11, representantes dos setores de segurança pública e privada, além do ministério público e universidades para criação do Comitê Segurança Sem Preconceito, que inicialmente seria constituído somente em 2021, porém, em função do assassinato de Beto de Freitas no supermercado Carrefour em Porto Alegre, no último dia 19/11, véspera do dia em que se comemora a Consciência Negra, a medida foi antecipada.

Assista a reunião completa no vídeo abaixo

O Comitê Segurança do Futuro firmado hoje  estabelece que o treinamento com os 600 mil seguranças privados regulamentados para mudança de técnicas  de abordagem, criação de um sistema de “pontuação” que seja claro a toda sociedade do comportamento desse profissional, mudança nas leis vigentes sobre a punição dos casos de intolerância racial, tenham início imediato.  Além disso, a necessidade de ampliar e punir severamente as empresas que atuam no Brasil com profissionais que não têm formação adequada, os conhecidos como vigilantes clandestinos. 

Para o líder do Movimento AR, José Vicente, ¨ninguém ganha com situações de racismo como as que presenciamos, temos famílias negras enlutadas enterrando seus entes queridos e famílias brancas sofrendo com o encarceramento de seus familiares quando punidos por seus atos”, 

Para o  Dr. Christiano Jorge Santos, Promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público: “2020 será lembrado por dois temas principais, a pandemia e a identificação do racismo com um problema estrutural em todo o mundo, o Brasil possui um racismo muito forte sim e este é um dos grandes problemas a ser combatido”. Ainda segundo o promotor, “em São Paulo o Ministério Público recomenda que não sejam realizados acordos quando há crimes de intolerância racial, no estado foi criado o Gecradi – um grupo especial de combate aos  crimes de intolerância racial que trabalha no enfrentamento do tema”, conclui o promotor.

Para Jeferson Furlan Nazário,  presidente da FENAVIST- Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores, “os casos recentes não foram com profissionais certificados, é imperativo que tenhamos a punição severa de empresas e clientes que contratam pessoas sem a qualificação necessária, apenas por uma questão financeira, que podem gerar danos irreparáveis à vidas humanas como ocorreu. Há anos existe um PL no Senado Federal aguardando votação para um maior rigor e punição às empresas, o que poderia ter evitado um caso como esse”, finaliza Nazário.

Participaram da reunião, além de José Vicente, Jeferson Furlan Nazário – Presidente FENAVIST,  João Eliezer Palhuca – Vice Presidente FENAVIST e Diretor da SESVESP, Ricardo Tadeu Correia – Presidente da ABCFAV, Dr Christiano Jorge Santos – Promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, Coronel Camilo – Representando o General Campos Secretário de Segurança Pública, Coronel Leandro Gomes Santana – Diretor de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos, Luiz Antonio de Camargo Pereira – Inspetor Superintendente da GCM – representando Comandante Elza,  7.   Coronel Leandro – GT – Segurança do Futuro – Diretor de Policia Comunitária e de Direitos Humanos – PM SP, Marco Antonio Lopes – Presidente da ABSEG – Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, Elisa Lucas Rodrigues – Representando Secretária de Direitos Humanos e Cidadania e Ronaldo Pena – Diretor Executivo da SESVESP, Profa Felícia Ponce – do Observatório do Negro – Universidade Zumbi dos Palmares, Profa Lina Amaral – Unicamp, Prof Natanael dos Santos – Universidade Zumbi dos Palmares.

Entenda a importância de nossa causa:

No Brasil, a População negra é principal vítima de homicídio.

Entre 2012 e 2017, foram registradas 255 mil mortes de negros por assassinato; em proporção, negros têm 2,7 mais chances de ser vítima do que brancos, segundo dados oficiais do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Enquanto a violência contra pessoas brancas se mantém estável, a taxa de homicídio de pretos e pardos aumentou em todas as faixas etárias.

Na série de 2012 a 2017, de acordo com o IBGE, houve aumento da taxa de homicídios por 100 mil habitantes da população preta e parda, passando de 37,2 para 43,4. Enquanto para a população branca esse indicador se manteve constante no tempo, em torno de 16. 

Entre os jovens brancos de 15 a 29 anos, a taxa era de 34 mortes para cada 100 mil habitantes em 2017, último ano com dados de mortes disponíveis no DataSus. Entre os pretos e pardos, eram 98,5 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Fazendo o recorte apenas dos homens negros nessa faixa etária, a taxa de homicídio sobe para 185. Para as mulheres jovens, a taxa é de 5,2 entre as brancas e 10,1 para as pretas e pardas.