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Menino de 3 anos é alvo de ataques racistas na internet: ‘Uma estaca no meu peito’, diz mãe

Fonte: Portal G1: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/07/26/menino-de-3-anos-e-alvo-de-ataques-racistas-na-internet-uma-estaca-no-meu-peito-diz-mae.ghtml

A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática pediu à Justiça a quebra de sigilo das mensagens para identificar quem escreveu os ataques.

Um menino negro de 3 anos de idade foi alvo de uma sequência de ataques racistas pela internet, depois que seus pais publicaram uma foto dele em uma rede social.

A família da criança registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática. A divisão informou que pedirá a Justiça a quebra de sigilo das mensagens para identificar os responsáveis pelos ataques.

Sem revelar sua identidade para evitar o constrangimento do filho, a mãe do menino contou ao RJ2 que se sentiu muito mal com os insultos.

“Foi como se tivessem cravado uma estaca no meu peito. Uma dor realmente na alma. Como que podem ter um ódio com uma criança simplesmente por ela nascer negra e sendo uma criança de três anos. Meu filho não faz mal para ninguém, é uma criança doce, amigável, sabe? E isso me deixou muito mal, muito mal”, disse a mãe do menino.

Entre as várias mensagens de ódio contra a criança, os ataques usavam palavras como “macaco” e “deformado”.

“É muito importante que as pessoas tenham consciência que esse tipo de agressão, ela fere não só a pessoa a que é dirigido o ataque. Afetam todas as pessoas que amam aquela pessoa, toda uma sociedade que se coloca no lugar, que tem empatia. Então, é necessário, urgente uma mudança. Uma mudança de caráter de pessoas, uma mudança, um aprendizado, porque nós não merecemos esse tipo de ataque”, comentou a mãe.

“Eu acredito que as pessoas possam sim buscar o conhecimento e mudar. O pouco que a gente conversa vai mudar a cabeça de uma pessoa (…) Muita gente acredita ser ‘mimimi’, mas não é. Isso dói, isso fere, isso machuca”, disse ela.

Injúria racial ou racismo

A Polícia Civil do Rio registrou o caso como injúria racial, mas a defensora pública Elisa Cruz disse que as características dos ataques são de crime de racismo. Pela lei, esse é um crime considerado mais grave e com pena maior.

“Houve uma depreciação da pessoa negra em si, agravada pelo fato de que foi um direcionamento contra uma criança. Isso é algo muito sério. Enquanto a gente permanece considerando como injúria racial, existe um dado muito subjetivo que é colocado. E o racismo, ele dá a conotação de que nós vivemos numa sociedade racista e que a prática discriminatória contra pessoas negras é que deve ser combatida por todos nós”, comentou defensora pública.

Na opinião do professor babalaô Ivanir dos Santos, do Centro de Articulação de População Marginalizada e da UFRJ, existem agravantes nesse caso.

“Ele tem uma qualificante ainda que é uma criança indefesa. Tem que também conjugar o racismo com a questão dos direitos da criança e do adolescente. Todos nós devemos reagir. Os pais negros e não negros, né, os pais de filhos de casamentos interraciais e os brancos não racistas. Nenhum de nós podemos aceitar que ataque de ódio racial – que é de ódio racial – a um ser indefeso que é uma criança, a sociedade pode achar que isso é natural e normal”, comentou Ivanir dos Santos.