Justiça determina que nutricionista que escreveu bilhetes racistas contra vizinha mantenha distância da vítima

Fonte: Portal G1: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2021/05/21/justica-determina-que-nutricionista-que-escreveu-bilhetes-racistas-contra-vizinha-mantenha-distancia-da-vitima.ghtml

Mulher foi alvo de um dos últimos ataques de nutricionista em condomínio em Santos, no litoral paulista. Caso foi acompanhado pela Polícia Civil. Justiça concedeu medida protetiva à vítima.

A Justiça concedeu medida protetiva a vizinha ofendida com bilhetes de cunho racista escritos por uma nutricionista de 56 anos em um condomínio em Santos, no litoral paulista. A vítima havia relatado ao G1 que não se sentia mais segura no prédio onde vive. Entre os xingamentos, a vítima foi chamada de “preta retinta”, “porca” e “maloqueira”. Com a decisão judicial, a suspeita deve manter distância da mulher ofendida e não pode ter qualquer contato com ela ou sua família.

A nutricionista é investigada pela Polícia Civil por diferentes ataques racistas, e já chegou a ser presa por ameaçar vizinhas e praticar injúrias raciais, mas foi solta. A vizinha que conseguiu a medida protetiva chegou a ser ameaçada de agressão pela suspeita no dia em que foi presa em flagrante, em 5 de maio. Na data, duas vizinhas relataram que a nutricionista havia colado em suas portas papéis com dizeres como “negra vaga*****”, “porca”, e ainda que “negro quando não faz na entrada faz na saída”. As ofensas, além de coladas nas portas das vítimas, também estavam espalhados na área comum do condomínio.

Segundo relataram as moradoras no registro da ocorrência, ela teria, ainda, ameaçado matar duas vizinhas com uma barra de ferro. De acordo com as mulheres, a suspeita costuma atirar garrafas nos corredores, e já as ameaçou de morte outras vezes.

A decisão do juiz Walter Luiz Esteves de Azevedo, da 5ª Vara Criminal do Foro de Santos, proíbe que a nutricionista mantenha contato com a vítima e com os familiares dela, seja diretamente, por qualquer meio de comunicação, inclusive escrito, pessoalmente ou por meio de outra pessoa.

O magistrado também proibiu que a indiciada se aproxime a menos de 10 metros da vítima. Inclusive, caso elas se encontrem em área comum do edifício onde moram, o juiz determinou que a nutricionista não deverá se aproximar da vítima, e deverá aguardar que ela termine o que está fazendo.

Conforme apurado pelo G1, a suspeita já foi intimada sobre o cumprimento das regras. Caso ela não obedeça à medida protetiva, o juiz determina que poderá ser tomada uma medida ainda mais severa entre aquelas previstas como cautela no processo penal, inclusive a prisão preventiva.

O caso teve grande repercussão e revoltou centenas de pessoas. Nas redes sociais, famosos também se posicionaram sobre o ocorrido. O ator Rafael Zulu e o cantor Thiaguinho chegaram a compartilhar um texto na web, em que se mostraram indignados com o episódio.

“Continua sendo complicado ser preto no Brasil. Continua sendo complicado conviver com pessoas que pensam que são superiores, por conta da cor de pele. Uma diferença pequena, perto de outras tantas características que um ser humano pode carregar, ainda é sinônimo de opressão e oprimido”, disse Rafael Zulu em trecho do texto que compartilhou, palavras que também foram replicadas por Thiaguinho.

Ataques racistas

A nutricionista é investigada pela polícia por escrever ofensas racistas contra vizinhos em Santos. Além de atacar a vizinha ouvida pelo G1, nos papéis que ela havia colado na porta de seu apartamento anteriormente, ela se referia aos negros como pessoas de “espírito imundo” e “escória da sociedade”. Na ocasião, foi registrado boletim de ocorrência contra a nutricionista por ameaça, injúria e difamação no 7º DP de Santos.

Em 5 de maio, a mulher chegou a ser presa por ofensas a vizinhas com palavras de cunho racista e por tentar agredi-las, mas foi solta em audiência de custódia. O zelador do prédio, Arilton Souza de Carvalho, relatou que também já foi alvo dos ataques da mulher (leia no bilhete abaixo). Ele registrou boletim de ocorrência contra ela no fim de 2020, devido a uma agressão que sofreu por parte da investigada, e por ouvir em outras ocasiões xingamentos como “negro”, “marginal” e “preto encardido”.