Em Nova York, negros e latinos ficam atrás de brancos na vacinação

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo: https://aovivo.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/08/24/5927-acompanhe-todas-as-informacoes-sobre-a-pandemia-de-coronavirus.shtml#post406549

A vacinação na cidade de Nova York, que já foi o epicentro da pandemia nos EUA, tem sido impactada por disparidades raciais, com moradores negros e latinos recebendo bem menos doses do que brancos, anunciou o prefeito Bill de Blasio, neste domingo (31).

Os dados demográficos da cidade estavam incompletos, mas a informação disponível revelou pela primeira vez que brancos estão lidando com o complicado sistema de vacinação de Nova York de maneira mais fácil.

Dos cerca de 300 mil moradores que receberam uma dose e cuja raça foi definida, cerca de 48% eram brancos, 15%, latinos, 15%, asiáticos e 11%, negros. A população negra corresponde a 24% dos nova-iorquinos e os latinos, a 29%.

As disparidades são ainda maiores entre os moradores com 65 anos ou mais: apenas 9% dos 125 mil idosos vacinados na cidade eram negros.

Profissional da saúde aplica dose da vacina Moderna em Nova York
Foto: Mike segar – 29.jan.21/Reuters Profissional da saúde aplica dose da vacina Moderna em Nova York

O democrata de Blasio, que está no seu segundo mandato, afirmou que estava frustrado que as comunidades nova-iorquinas de cor, mais fortemente impactadas pela pandemia, não estava sendo vacinadas.

Ele se comprometeu a resolver o problema melhorando o sistema de agendamento de consultas e aumentando o alcance em mais idiomas. “Claramente vemos uma disparidade profunda que precisa ser enfrentada agressivamente e criativamente”, afirmou o prefeito, em uma entrevista coletiva.

Outras cidades e estados enfrentam uma disparidade racial similar na vacinação. Em Nova Jersey, cerca de 48% daqueles que receberam o imunizante eram brancos e apenas 3%, negros, apesar de a população negra representar 15% do estado.

As autoridades da cidade, porém, imediatamente culparam de Blasio por falhar no alcance a moradores negros e latinos. O defensor público de Nova York, Jumaane Wiliams, e o controlador do município, Scott Stringer, falaram que a vacinação é praticamente criminosa e uma vergonha nacional, em uma entrevista coletiva conjunta.

“Esse é um fracasso moral e gestão de maior grau”, afirmou Stringer, que concorre à prefeitura.

Eles pediram a de Blasio que pare de vacinar pessoas que moram fora da cidade, conserte o confuso site para agendamento e forneça folga remunerada para trabalhadores essenciais serem vacinados.

O prefeito afirmou que a melhor forma para lidar com as disparidades raciais é aumentar o estoque de vacinas para que mais nova-iorquinos recebam doses e autoridades possam “ganhar confiança organicamente” entre os que relutam em se vacinar.

Os dados demográficos estão incompletos —de Blasio disse que muitos não informaram sua raça, e alguns profissionais da saúde não coletaram esse dado corretamente. A raça de cerca de 263 mil pessoas que receberam ao menos uma vacina não é sabida —ao menos 600 mil já receberam a primeira dose na cidade. (The New York Times)