Dona de casa suspeita de racismo após jovem vencer concurso de rainha presta depoimento em MG

Fonte: Portal G1: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2021/06/21/dona-de-casa-suspeita-de-racismo-apos-jovem-vencer-concurso-de-rainha-presta-depoimento-em-mg.ghtml

Moradora de Santo Antônio do Amparo gravou áudios em que ofende negros após jovem de 19 anos vencer concurso na cidade; ela disse que não teve o objetivo de ofender.

A dona de casa suspeita de ter feito comentários racistas após uma jovem de 19 anos vencer um concurso de rainha em Santo Antônio do Amparo (MG) depôs na Delegacia da Polícia Civil, em Lavras (MG). O depoimento aconteceu na última sexta-feira (18).

Segundo o delegado, em depoimento, a dona de casa Nair Amélia Avelar Rodrigues não negou a existência do áudio e disse que o divulgou inicialmente em um grupo de família. Ela disse ainda que não teve o objetivo de ofender ninguém.

Segundo a Polícia Civil, o inquérito, aberto na semana passada, tem até 30 dias para ser concluído, mas deverá ser finalizado nesta semana.

Áudio gera revolta

O áudio que a dona de casa compartilhou em um grupo de WhatsApp gerou revolta. “Gente, eu estava na roça e agora que eu vi o resultado. Ah, vou contar uma coisa procês: esse negócio de inclusão social tá foda. É os preto é que tá mandando em tudo mesmo. É cota na escola, é cota aqui, é cota ali e os branco tá tudo levando tinta. Da próxima vez, nós tem que pular num tanque de criolina e sair tudo pretinha, aí pode candidatar a qualquer coisa, que ganha”, disse.

O concurso, realizado todos os anos, foi transmitido pela internet por causa da pandemia. Mas diferente de outras edições, foi aberto a qualquer participante que tivesse mais de 15 anos.

“Na hora eu falei, ah, deixa, isso não vai fazer diferença na minha vida, mas depois que vai passando o tempo, você vai vendo o peso que isso é, aí isso foi me incomodando de uma forma que eu nunca me senti incomodada sabe, quando a gente vê o racismo contra a pessoa dói na gente, agora você imagina o racismo ser com você, dói muito mais”, disse Maiza.

A legislação brasileira prevê pelo menos duas formas de criminalizar atos racistas. Uma delas, o racismo em si, é quando a pessoa usa termos preconceituosos para se referir a uma raça ou etnia. A outra é de injúria racial, quando a ofensa também é motivada pela raça, mas direcionada a uma pessoa específica. Seja em uma conversa ou em uma mensagem, quem comete crimes assim pode ser penalizado.

“O fato do crime ter sido praticado em redes sociais não gera agravante, mas não impede que ela seja responsabilizada pelo ato racista praticado. No presidente caso, observamos o crime de racismo, onde a discriminação é generalizada a um coletivo, neste caso, o crime é imprescritível e inafiançável e a pena para quem o pratica é de 1 a 5 anos de reclusão e multa”, disse a integrante da Comissão de Igualdade Racial da OAB Varginha, Marian Cezário dos Santos Felipe.

A dona de casa foi procurada pela produção da EPTV Sul de Minas, Afiliada Rede Globo, mas não foi encontrada. Na semana passada, um dos filhos dela disse que a fala da mãe foi compartilhada fora de contexto e que ninguém da família falaria sobre o assunto.