Comissão de Direitos Humanos recebe denúncia de racismo em concurso de beleza

Fonte: Jornal A Tarde (BA): https://atarde.uol.com.br/bahia/noticias/2169134-comissao-de-direitos-humanos-recebe-denuncia-de-racismo-em-concurso-de-beleza

O deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Assembléia Legislativa da Bahia (Alba), Jacó (PT), recebeu em seu gabinete, na segunda-feira, 17, a modelo Thásilla Brandão, de 18 anos, com o objetivo de denunciar o crime de racismo, do qual Thásilla teria sido vítima por parte da organização brasileira do Miss Teen Earth International. 

O concurso de beleza internacional tem como público-alvo adolescentes. Segundo Thásilla, ela teria se preparado durante três anos e investido mais de R$ 20 mil entre viagens e diárias de hotel em São Paulo, além de roupas, maquiagem, fotos, ensaios e cursos. No entanto, a modelo terminou desclassificada na reta final, ficando em 3° lugar na disputa.

“Ficamos abismados, ela (Thásilla) sempre estava se sobressaindo, jurados e concorrentes comentavam. Foi a única na prova de oratória a falar em dois idiomas, o que lhe daria a vaga para representar o Brasil na etapa internacional. Esperamos que o concurso se retrate. E precisamos abrir os olhos das pessoas para empresas fiéis, sem preconceito ou racismo”, diz a mãe.

A jovem afirmou que o seu discurso feito na reta final do concurso foi o principal responsável por tirar pontos e “destruir seus sonhos”. Durante sua fala, Thásilla disse querer “influenciar outras meninas negras”, para que elas acreditem que também são capazes de conquistar seus objetivos.

Em gravação obtida pela mãe da modelo, o coordenador da etapa brasileira do Miss Teen Earth, Lizioneto Santos, teria justificado a desclassificação: “Quando você fala isso, está defendendo uma causa, ótimo, defenda, isso é muito bom, mas ela na posição de miss vai ter que defender todas as raças”.

De acordo com Thásilla, ela encarou a disputa na condição de “representante das meninas negras não só da Bahia, mas do Brasil”. O advogado da família, Marinho Soares, entrou com uma ação na justiça pedindo reparação por danos materiais e morais. Segundo o deputado estadual, o caso não ficará impune.

“Vamos acionar a CDH e a Comissão de Promoção da Igualdade da Alba porque não podemos aceitar que nenhum cidadão ou cidadã baiana sofram qualquer tipo de racismo. É lamentável e repudiamos com veemência. Vamos divulgar o nome desse concurso para que outras mães não caiam na mesma armadilha”, concluiu o parlamentar.