Casais inter-raciais que vibraram com união de Meghan e Harry dizem que racismo é diário

Fonte: BBC News: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56342520

Em novembro de 2017, quando o príncipe Harry e Meghan Markle se casaram no Palácio de Kensington, a BBC perguntou a outros casais inter-raciais como eles se sentiam em ver um relacionamento assim ser celebrado dentro da família real britânica — o que até então era inédito.

Alguns descreveram o evento como “emocionante”, enquanto outros desejaram que o casamento se firmasse como “um grande exemplo”.

Três turbulentos anos depois, o duque e a duquesa de Sussex renunciaram aos deveres reais e começaram uma nova vida com o filho Archie na Califórnia.

Agora, após uma entrevista do casal transmitida nos EUA no último domingo (7/3), em que Meghan relatou à apresentadora Oprah Winfrey o racismo que sofreu como parte da família real, voltamos a algumas das pessoas com quem conversamos em 2017 para ouvir o que elas pensam.

‘O racismo está aí’

De nacionalidade francesa, Astrid Guillabeau, de 31 anos, mora em Birmingham com seu parceiro Mike Munyao, também de 31 anos, com nacionalidade do Quênia e de Ruanda. O casal tem dois filhos.

Em 2017, Astrid afirmou que o casamento de Harry com Meghan mostrava “como a família real é diversa e moderna”. Mas agora, refletindo sobre os últimos anos, ela notou que “desde o início [a cor de Meghan] sempre foi mencionada” nos discursos públicos — para a francesa, uma repetição desnecessária que talvez demonstrasse um problema maior.

Referindo-se à acusação de Harry de que ele foi questionado por um membro não identificado da família real sobre “quão escura” a pele do seu filho Archie poderia ser, Astrid disse que um comentário assim é “muito racista” e demonstra que a realeza “está descolada do mundo”.

“Ouvir as acusações é chocante, mas ao mesmo tempo não é chocante. O racismo está aí. As pessoas tocam nos meus filhos, nos cabelos deles, nos rostos — pessoas estranhas”, relata Astrid.

Ela diz que o “preconceito evidente” ao qual a duquesa e o duque de Sussex foram submetidos reflete a desigualdade de uma forma mais ampla.

“Posso ver isso, todos os dias. Não sei se o fato de ter uma filha mestiça me influencia mais, ou porque a maioria dos meus amigos são negros ou porque sou uma francesa morando no Reino Unido”, relata.

“É difícil assistir como ela (Meghan) foi tratada. A coisa mais difícil foi ver que ninguém a defendeu.”

Para Astrid, Harry e Meghan devem ser apoiados “pelo bem que fizeram e pela esperança que trouxeram para a nossa geração”.

Decepcionante’

Sara Khoo, 26, de origem islandesa e chinesa, e Adam D’hill, 31, português e afro-americano, avaliaram como uma “grande coisa” a chegada de Meghan à família real, quando conversamos com eles em 2017.

Hoje, eles não estão mais em um relacionamento, mas ainda têm contato e falaram conosco por telefone.

Adam diz que o noivado do casal real foi “emocionante” na época.

“Foi bom ver a família real — que normalmente só recebia pessoas brancas de pele clara — ter uma pessoa de cor se casando”, diz ele.

Agora, Sara diz que foi “muito, muito triste ver a forma como ela (Meghan) foi tratada” e que as pessoas estão “em negação” sobre a alegação de que a cor da pele de Archie foi um problema.

Para Adam, as acusações apenas confirmaram a desconfiança que já tinha sobre a família real. Já a partida de Meghan e Harry foi para ele “decepcionante”.

“É muito triste (algo assim acontecer) com alguém para quem você realmente torce, porque há muita identificação”, diz ele. “Meghan era muito pé no chão.”