Atos de racismo são denunciados durante festival afro em Maringá

Fonte: Portal Ric Mais: https://ricmais.com.br/noticias/seguranca/atos-de-racismo-sao-denunciados-durante-festival-afro-em-maringa/

Os suspeitos usaram contas falsas para xingar os artistas e praticar racismo

Virou caso de polícia supostos atos de injúria e racismo registrados durante o 12º Festival Afro-Brasileiro – Culturas Negras Importam, realizado na noite de domingo (11) em Maringá, no noroeste do Paraná, com exibição online pelo Youtube por conta da pandemia de covid-19.

Por trás de uma conta falsa e que usava a foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma pessoa teceu os seguintes comentários durante a exibição ao vivo do festival: “tudo macaco” e “macaco“. Outra conta, também aparentemente falsa e com o nome de Joazin Legal, escreveu: “tudo macaco querendo se achar“.

De acordo com a Prefeitura de Maringá, na manhã desta segunda-feira (12), o secretário de Cultura Victor Simião se dirigiu à 9ª Subdivisão da Delegacia de Polícia com os artistas que foram vítimas de comentários racistas durante a transmissão do festival.

“Os artistas, Mestre Raiz e Liberta Maré, estão abrindo Boletim de Ocorrência por injúria. No final da transmissão do festival, duas pessoas entraram no chat e fizeram comentários racistas”, explica, em nota, a Diretoria de Comunicação da Prefeitura de Maringá.

Repúdio

Sobre o caso, a Secretaria Municipal de Cultura publicou nota pública de repúdio, afirmando que provavelmente duas contas falsas foram as responsáveis pelas falas criminosas.

“Posts de forma anônima só demonstram a covardia e crueldade dos que são capazes de realizar algo tão vil. Todas as pessoas de bem podem e devem lutar para que atos dessa natureza sejam extintos e que fiquem somente nos registros da história para que possamos lembrar o quanto o ser humano pode ser cruel com seu semelhante”, lamenta o secretário Victor Simião. O Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC) também veio a público externar repúdio aos supostos atos de racismo durante o festival.

Não toleramos esse tipo de ação. Menos ainda em nossa gestão da Cultura, que visa fortalecer grupos minoritários politicamente, como a população negra”, afirma ainda o secretário. “O importante é não se calar e dar suporte às vítimas”, finaliza.

Investigação

A polícia deverá investigar o caso, com a possibilidade de identificação dos endereços de IP´s das contas, conforme Lei Geral de Proteção de Dados.