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Após fala racista de vereador, especialistas defendem revisão de linguagem

Fonte: TV CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/07/14/apos-fala-racista-de-vereador-especialistas-defendem-revisao-de-linguagem

O PSOL apresentou uma representação contra o vereador de São Paulo Arnaldo Faria de Sá (PP), criticado por utilizar uma expressão racista para se referir ao ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Durante debate na Câmara Municipal, Faria de Sá relembrou o período em que foi secretário de Pitta, a quem chamou de “negro de alma branca”.

Ouvidos pela CNN Brasil, especialistas falaram sobre a importância da revisão de termos do passado com metáforas que reproduzem e retomam preconceitos enraizados na sociedade. 

O sociólogo José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, explica a raiz do termo dito pelo vereador. “Essa expressão do ‘negro de alma branca’ é dizer: Ele é negro, mas tendo em conta que ele tem uma posição servil, que ele não contesta, que ele se adequa, ele é um diferente, ele é alguém que pode conviver nesse meio de brancos”, explica

O docente dá ainda dois exemplos:

Denegrir – “Quando eu falo denegrir, significa justamente essa compreensão de que determinada ação possa denegrir, então, possa ter uma postura ou uma ação demeritória, sem mérito, desqualificada”

Criado-mudo – “Se diz com frequência a expressão do criado-mudo. E o criado-mudo se refere àquela tradição histórica em que o negro ficava diante dos ambientes mais íntimos dos senhores e ali não podia abrir a boca”

‘Precisamos nos educar todos os dias’

Segundo a advogada Paula Nunes, que faz parte do mandato Bancada Feminista do PSOL, há a necessidade de “entender que não existe nada completamente enraizado na sociedade que não pode mudar”. 

“Precisamos nos educar todos os dias a não utilizar expressões que são racistas e entender que o reflexo social disso é continuar colocando como inferior um grupo que é majoritário”, explica.

Pedido de desculpas 

O vereador do Progressistas se desculpou sobre a fala na Câmara. “Fiz um comentário parafraseando, sem qualquer intenção de ofender”, disse, em nota.