Advogado negro de BH é alvo de racismo durante live sobre crimes raciais; ‘macacos falantes’

Fonte: Portal G1: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2021/07/02/advogado-negro-de-bh-e-alvo-de-racismo-durante-live-sobre-crimes-raciais-macacos-falantes.ghtml

O comentário racista aconteceu durante uma live na segunda-feira (28). A vítima registou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Repressão ao Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e intolerâncias correlatas no Barro Preto, na Região Centro-​Sul de Belo Horizonte.

O advogado negro e especialista em crimes raciais Gilberto Silva Pereira, de 42 anos, foi alvo de ataque racista, na segunda-feira (28), durante uma live nas redes sociais, que tratava justamente do crime de racismo no Brasil.

Durante a conversa sobre o tema, uma pessoa comentou “Uau, macacos falantes”. O advogado viu o comentário racista e seguiu com o bate-papo.

“Seguimos com a live sem dar ibope. Uma colega advogada negra que estava nos assistindo fez os prints, juntou as provas e, no dia seguinte, fui até a delegacia para registrar o boletim de ocorrência e descobrir quem é o autor do ataque”, contou Gilberto ao G1.

O advogado disse que encontrou perfis da mesma pessoa em outras redes sociais e encaminhou para a Polícia Civil. A vítima prestou depoimento na tarde desta quinta-feira (1º). “Pelo que vi não são perfis fakes, a pessoa mostra a cara mesmo”.

Em nota, a Polícia Civil informou que instaurou inquérito policial no dia 30 de junho e, “desde então, vem adotando as providências cabíveis na investigação que apura a prática em tese, de injúria racial contra um advogado nas redes sociais durante uma live”.

“Os trabalhos policiais para identificar as circunstâncias e a autoria do fato estão em andamento na Delegacia Especializada de Investigação de Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias, em Belo Horizonte”.

‘Eu sou ser humano’

Diante dos ataques, o advogado disse que sente “dor e impotência”.

“Uma dor e impotência, uma angústia, porque, apesar de estar à frente da luta antirracista, eu sou ser humano e não estou preparado para ser atacado. Quando isso acontece, sinto a dor dos meus ancestrais e até me questiono se a luta está sendo em vão (…) essas pessoas que nos atacam acham que não serão punidas”, lamentou.

A Polícia Civil esclareceu ainda que a pena prevista em lei para esse crime é de reclusão de 1 a 3 anos e multa, arbitrada conforme entendimento do judiciário.