‘Deus me livre desse bicho, desse urubu’, diz investigada por racismo

Fonte: Jornal O Estado de Minas: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2021/03/08/interna_gerais,1244520/deus-me-livre-desse-bicho-desse-urubu-diz-investigada-por-racismo.shtml

Polícia Civil de Campo Belo abriu um inquérito para investigar uma técnica de enfermagem suspeita de cometer ofensas a um grupo de negros

Uma técnica de enfermagem é investigada por cometer crime de racismo em Campo Belo, no Sul de Minas. O caso está sendo investigado mesmo sem a denúncia da vítima. A suspeita teria feito ofensas em um áudio contra um grupo de pessoas negras do bairro onde ela mora. O conteúdo foi compatilhado nas redes sociais e teve repercussão na cidade.

A técnica de enfermagem é suspeita de cometer crime de racismo contra um grupo de pessoas negras em Campo Belo. As ofensas foram feitas por meio de um áudio compartilhado nas redes sociais. A mulher teria dito nas mensagens: “Esse tipinho, odeio preto e tenho nojo” e “Deus me livre desse bicho, desse urubu”.

O caso chegou até a polícia depois que algumas pessoas aglomeraram na porta da casa da suspeita e  jogado pedra no imóvel. Um boletim de ocorrência foi registrado incluindo os áudios e mensagens de cunho racista enviadas pela mulher.

“A própria suspeita teria acionado a Polícia Militar após um aglomerado na sua residência. A mulher foi conduzida até a delegacia de Polícia Civil até para preservar a integridade dela, que corria o risco até de ser linchada”, disse delegado, Alessandro Gambogi.

De acordo com o delegado que abriu o inquérito para investigar o caso, a suspeita foi ouvida e, inclusive, já divulgou um vídeo tentando se retratar pedindo desculpas para as pessoas que se sentiram ofendidas.

“O que tudo indica é que os áudios teriam sido emitidos para uma terceira pessoa, que teria tornado público. O inquérito policial foi aberto para apuração do caso, dos áudios, que foram encaminhados para a perícia. Apesar da suspeita ter confessado a autoria dos áudios, temos que finalizar a perícia e descobrir a circunstância de que foram emitidos. Por isso, também é necessário identificar esse interlocutor”, afirma.

Estado de Minas procurou a técnica de enfermagem e por telefone disse que faz tratamento psiquiátrico. “Faço tratamentos psiquiátricos. No dia do acontecido um tal de Lucas entrou no meu perfil me instigando a falar da raça negra. Como estava irritada falei e ele jogou em todas as redes”, ressalta.